#Toque1: A Origem das Bandas

Publicado em 6 de abril de 2016




Bom dia, boa tarde, boa noite!

Agora é pra valer, o Toque 2 PodCast Bandas e Fanfarras finalmente lança seu episódio primeiro o “toque1”, e aqui damos um passo importante nesta história que pretendemos construir. Claro, seria impossível não admitir que este PodCast não existiria sem a ajuda de todos vocês, galera do bem das bandas e fanfarras do Brasil, que durante este primeiro mês veio junto coma agente, compartilhando e comentando. Valeu galera!

Neste programa o músico em Dó Maior Josisley, o Multi-instrumentista Kleber e o Maestro de Verdade Fabiano falam sobre “A origem das bandas”, em um passeio desde a antiguidade bíblica, a revolução francesa e o Brasil imperial.

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No Ritmo da Vida. Na Batida do Coração!

Equipe Toque2

@toquedois

 

Quem fez?

Vinheta: Equipe Toque2

Arte da Vitrine: Anderson Costa

Abertura: Banda Marcial Padre Francisco Carneiro

Edição: Josisley Souza

 

Dica cultural

A Degola (O Álamo, 2004)

Ressurreição (A Paixão de Cristo, 2004)

Grupo Sa Grama

 

Comentamos estes links

O que é Escaleta?

Word of Brass

Blue Ridge Saga (James Sweringen)

Blue Ridge Overture (Frank Erickson)

Vakinha Banda Marcial do IEP

Banda Lyra de Mauá

Nosso Deezer

Material de Pesquisa 1

Material de Pesquisa 2

Material de Pesquisa 3

Material de Pesquisa 4

Material de Pesquisa 5

Material de Pesquisa 6

Material de Pesquisa 7

Material de Pesquisa 8

 

Vá direto ao ponto!

Introdução: 00:00:29

Recados: 00:02:00

Programa: 00:06:28

Dica Cultural: 00:43:03

Na Pista: 00:51:13

Tempo Total: 01:04:08

 

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Transcrição do PodCast para acessibilidade há deficientes auditivos:

INÍCIO

Vinheta de Abertura: Seja bem-vindo ao Toque2 (Podcast) Bandas e Fanfarras. No ritmo da vida, na batida do coração.

Áudio do Youtube: Banda Padre Francisco Carneiro da cidade de Olinda do Estado de Pernambuco. Em julgamento!

ABERTURA:

Josisley: Bom dia.

Kleber: Boa tarde.

Fabiano: Boa noite.

Josisley: Seja bem-vindo ao Podcast Toque 2: Bandas e Fanfarras. Eu sou o Josisley.

Kleber: Eu sou o Kleber.

Fabiano: E eu sou o Fabiano.

Josisley: E hoje no primeiro (Podcast) oficial nós vamos falar de algo que não teria como ser diferente: a origem das bandas. Você sabe onde surgiu às bandas, Kleber?

Kleber: Lá em Mauá?

Josisley: Não, não foi da época de Mauá. Na Rua Princesa Isabel? Não foi. Nós vamos falar e o pessoal vai descobrir que as bandas têm até um teor bíblico, eu diria.

Fabiano: Profundo.

Josisley: Vamos, então, para a nossa leitura de recadinhos? Já voltamos.

 SESSÃO DE RECADOS:

Josisley: Muito bem, vamos à nossa sessão de recados. E eu tenho um muito importante que é do nosso amigo e maestro, Arnaldo Neto, lá de Pirassununga, e eu fiquei falando “Pirassurunga” para ele o dia inteiro hoje, a minha geografia realmente é ótima. O que acontece: ele é maestro da Banda Marcial do IEP, e o pessoal de lá está com um problema sério com os instrumentos, então eles estão fazendo uma vaquinha para arrecadar fundos, estão arrecadando doações para a manutenção desses instrumentos. Quem quiser doar e colaborar com o maestro Arnaldo, que é gente finíssima, o link vai estar no post deste (Podcast). Você vai entrar no www.toque2.com.br e lá embaixo, no (Podcast) 1, sobre a origem das bandas estará o (link) da vaquinha que o pessoal da banda do IEP está fazendo. O segundo recado que eu tenho aqui é da Banda Lyra de Mauá, que está com as suas inscrições abertas para novos alunos, aliás, está sempre aberta. É necessário ter no mínimo nove anos de idade, ou ser alfabetizado, porque tem aquela questão matemática da coisa, então é importante que a criança já esteja pelo menos alfabetizada. As aulas são duas vezes por semana, em dias alternados, mais os ensaios que acontecem aos sábados e domingos. Você pode ir direto na sede da Corporação Musical Lyra de Mauá, que fica na Rua Princesa Isabel, número 247, Centro de Mauá. Obviamente, em São Paulo, próximo da Praça da Paineira, todo mundo conhece isso lá em Mauá, é fácil de você encontrar. Para mais informações, você pode mandar um (e-mail) para bandalyra@bandalyra.org.br, Lyra com “y”. E o Arnaldo me mandou um outro recado, que é sobre um concurso que vai acontecer no mês de agosto lá em Pirassununga. Só que ele só mandou esse recado, não mandou o (site) com os regulamentos. Então assim que tiver disponível, se for até a publicação deste (Podcast) vai estar no (link) do post.

E sobre os comentários, Fabiano, nós tivemos um problema. O que aconteceu?

Fabiano: Um problema técnico aqui, que os comentários infelizmente se perderam temporariamente. Mas assim que nós os recuperarmos, nós os comentaremos novamente.

Josisley: Você lembra alguém que tinha comentado?

Fabiano: Eu não lembro exatamente o nome da pessoa, mas eu lembro que é uma pessoa de Sergipe, da Banda de (Salesópolis). Eu conheço a banda, vi tocando no concurso Norte e Nordeste, uma banda muito boa, já veio aqui a Recife também, então mando um abraço para o pessoal de lá. Estamos na torcida por vocês.

Josisley: Teve uma galera também que era Bandas da Paraíba. O rapaz ou a moça – não dá para saber, porque é um perfil de banda – comentou dizendo que gostou do programa. Valeu pelo comentário. Infelizmente nós tivemos esse problema técnico, mas assim que solucionarmos, no próximo (Podcast) nós citaremos vocês aqui e vamos ler, sim, os comentários.

Fabiano: Só lembrando que a Copa Pernambucana de Bandas está para começar, nós ainda não temos a data precisa, mas assim que tivermos a data das etapas e tudo certinho, vamos divulgar para as pessoas conhecerem e quem estiver aqui nas redondezas vir assistir, é sempre legal. Valeu.

Josisley: Aproveitando e lembrando que se você quiser colaborar com o nosso (site), se você acha que tem alguma coisa que você pode colaborar, gerando conteúdo para nós e quer ser um colaborador, você pode mandar um (e-mail) para contato@toque2.com.br e conversa conosco e nos diz onde você quer colaborar. Quem sabe você não entra para a nossa equipe e nos dá uma força para divulgarmos um pouco sobre as bandas e fanfarras, tem muita coisa para falarmos. É isso, vamos para o programa, então?

INÍCIO DO PODCAST:

Josisley: Bom, nós vamos falar um pouco sobre a origem das bandas, mas não só no Brasil. A título de pesquisa, nós utilizamos um livro que tem o título de: “O papel das bandas de música no contexto social, educacional e artístico”, o autor é o Renan Pimenta. Ele era sociólogo, pesquisador e curador do ponto de cultura de Recife, não é, Fabiano?

Fabiano: Exato. Eu tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente. Infelizmente ele já faleceu.

Josisley: Pelo que eu pude ver, ele fez um trabalho de pesquisa muito bom. Então fica, inclusive, a indicação do livro do Renan. Nós vamos comentar um pouco sobre o que ele está falando, e maiores detalhes você pode conseguir pelo livro. O (link) estará, obviamente, no post, para que você tenha acesso a toda a informação. Quando nós falamos de bandas, eu nunca parei para pensar em qual momento surgiram às bandas. Vocês já chegaram, em algum momento, a pensar em quem teve essa ideia de que enrolar uns ferros e soprar daria para fazer música?

Fabiano: É uma coisa muito doida mesmo de se pensar, que alguém parou para imaginar em construir um instrumento e juntar uma galera para fazer funcionar e sair música. É muito inusitado.

Josisley: O primeiro relato que nós temos, que fala sobre algo parecido com uma banda, está no Antigo Testamento da Bíblia. É incrível como a religião permeia muito da história da humanidade. E lá o Pentateuco – que são os primeiros cinco livros bíblicos – conta-se a história de Josué, que invadiu e guerreou na cidade de Jericó e a narrativa diz que eles circularam a cidade tocando cornetas e (trombetas) e o muro veio a ruir. Então foi interessante encontrarmos na pesquisa livros históricos relatando isso, como sendo uma das primeiras menções de bandas. E isso já nos leva diretamente ao fato de as bandas terem uma característica militar.

Fabiano: Sempre foram usadas como instrumento nas tropas para alegrá-los e motivá-los. Os relatos que nós temos são sempre esses.

Kleber: Lá no começo tinha a função também de coordenar, não tinha rádio e nem comunicação via satélite. Então tinha um carinha com uma corneta, dependendo do que ele estivesse tocando, as tropas iriam fazer alguma coisa diferente, ou o tambor, qualquer que fosse o instrumento. Tinha uma função bem prática no dia-a-dia da tropa.

Josisley: Já que nós citamos a questão bíblica, nós vemos muitos relatos do uso do (shofar) , que parece um berrante, era bastante usado para essa função de dar instruções às tropas.

Kleber: Isso, na hora que eles tocavam os berrantes, todos os bois se juntavam.

Fabiano: Isso é uma novela. É legal dizer que esse (shofar) que é citado na bíblia, inclusive na passagem do Mar Vermelho, ele é o antepassado da trompa (Instrumento), que nós temos hoje. Ele era feito de chifre de carneiro enrolado. É o antepassado da trompa e isso é interessante.

Josisley: Quando nós observamos essas histórias, não tem jeito, nós vamos passar por Roma e ali acontece algo interessante, porque ali começaram a surgir às primeiras orquestras, grupos musicais que se apresentavam. Não eram bandas propriamente usadas para a guerra, apesar de Roma também utilizar as bandas, que em sua maioria eram providas de tambores e cornetas. Eles também começaram a levar isso para dentro de teatros e fazer pequenas apresentações. E aí surgiu a questão da orquestra, não só apenas as bandas de forma marcial, mas pequenas orquestras. Acho que não tenho muito o que falar, pois assim vou acabar caindo sempre na mesma questão, que tinham muitas guerras na Idade Média, Oriente Médio e toda aquela coisa, quando você chega no século XVIII é quando a coisa, efetivamente, acontece. Inclusive essas orquestras estão datadas do século V antes de Cristo, que eles já utilizavam essas orquestras com pequenos palcos e plateias. Inclusive o nome orquestra vem daquele espaço entre o palco onde se executava as peças e danças, e o público.

Fabiano: Um outro dado que eu acho interessante é o nome. O quer dizer banda? Nós pesquisamos que é o feminino de bando, que vem do latim e quer dizer bandeira. Geralmente nós vemos as pessoas falando: “aquele bando de músicos”.

Josisley: Parece chulo, não é?

Fabiano: Na verdade um bando nada mais é do que um agrupamento de pessoas. Também tem muita gente que fala que a banda é metade de um inteiro.

Josisley: Isso dá abertura para uma piada infame, deixa para lá.

Fabiano: É, não vamos citar aqui, mas todos conhecem.

Josisley: No século XVIII nós temos o início da transição de fanfarras para bandas. Como assim? É isso mesmo. Essas bandas que iam na frente desses exércitos, eram frequentemente chamadas de fanfarras, (fanfare), que é o termo francês, se eu não me engano. E aí mais ou menos no final do século XVII para o começo do XVIII, 1789 a 1799, começa a acontecer essa transição. Você vê esse movimento acontecer muito na Alemanha, mas ganha muita força com a Revolução Francesa, até porque o bicho pegou naquela área.

Kleber: A Revolução Francesa trouxe para o ambiente urbano e para a população um monte de coisa que antes estava restrito ao (ambiente) da corte. E uma das coisas que a Revolução Francesa levou para a população em geral foi a música, então democratizou o acesso a ela. Em períodos paralelos nós também tivemos a Revolução Industrial, então junta o crescente interesse pela música, o desenvolvimento da técnica e dos meios de produção. Nós tivemos um acesso muito maior não só ao conteúdo, mas também aos instrumentos de uma forma geral. Foi um período de muita inovação e evolução, os instrumentos que eram majoritariamente artesanais até então, começaram a ser produzidos de forma mais industrial. Até hoje nós temos verdadeiros artistas que produzem instrumentos, mas a tecnologia que foi desenvolvida naquela época permitiu um acesso maior aos instrumentos. Então juntamos tudo isso e vemos as bandas e conjuntos musicais surgindo em diversos formatos e regiões. Foi um período bem ativo, também, em relação à guerra, de aí a característica militar de grande parte desses conjuntos que surgiram na época.

Josisley: Um detalhe importante que logo depois de todas essas guerras que eles passaram, toda essa revolução, principalmente na parte de Portugal, as bandas que antes eram militarizadas passaram a fazer parte da população, que acabou tendo muito acesso a isso. Isso acabou fazendo com que as bandas passassem a ser um acesso para uma cultura diferenciada, à música. Isso acontece até conosco, imagine que aqui nós temos aquela música com dificuldade cinco, três, dois, então essa musicalidade começou a se aproximar, até porque eram arranjos mais próprios para aquele grupo, então isso ficava mais próximo das pessoas. Com isso começou a surgir muitas associações, como é a Banda Lyra de Mauá, por exemplo, ou a associação que o Fabiano tem com a Banda do Padre Francisco, e essas associações passaram a ter seus grupos musicais. E de aí – eu não vou afirmar, pois eu não encontrei esta afirmação no que eu pesquisei – as pessoas começaram a congregar em praças com coretos, as bandas tocavam muito nesses lugares, era normal ter essas apresentações. Então essa parte musical ficou muito evidenciada em Portugal, e isso, obviamente, vai refletir na história do Brasil.

Kleber: Por que bandas com instrumento de sopro e tambores e não orquestras, com cordas? Por que se popularizou tanto o instrumento de sopro? Seja metal ou madeira. E as cordas até hoje nós olhamos como algo elitizado. Por que vocês acham que isso acontece? A dúvida é: por que banda e não orquestra?

Josisley: Kleber, eu acho que você já meio que deu a resposta. O violino, ainda mais nessa época, era um instrumento quase 100% artesanal. Até não é o momento, mas temos um filme chamado O Violino Vermelho, que mostra muito isso, como era feito de uma forma artesanal. Hoje em dia nós temos aqueles violinos muito baratos, os chinesinhos que as pessoas falam. Com a Revolução Industrial, você construindo instrumentos em série, isso de uma forma muito mais rápida, fácil, com menos esforço, fez com que todo mundo tivesse acesso. Então eu acho que de aí o custo para ter acesso a esses instrumentos era muito mais viável para uma classe média baixa do que um violino, que certamente deveria ser caríssimo na época. Só que eu estou elucubrando, eu não tenho certeza disso.

Fabiano: Na verdade a música sempre foi vista como uma coisa da elite naquela época, hoje em dia é mais popularizada. Mas naquela época era uma coisa mais elitizada, primeiro que as pessoas não eram nem alfabetizadas, só algumas pessoas da alta sociedade. Até o século passado era muito comum às famílias ricas e seus filhos estudarem piano, então eles colocavam seus filhos para estudar música, que era uma coisa culta.

Josisley: Com todo esse cenário que nós construímos aqui de forma rápida, nós chegamos em 1808. O Brasil já havia sido descoberto, estava em crescente expansão populacional, e aí Dom João VI vem para o Brasil. E aí, Fabiano, o que acontece?

 Fabiano: Quando ele chega, ele traz toda a corte que acompanha o rei, e junto com ela, uma banda de músicos. Eles vêm, principalmente, para trocar músicas de caráter religioso, faziam parte das missas dos ritos católicos que Dom João VI obviamente, curtia, digamos assim. As igrejas tinham os mestres de capela, que era como se fossem os maestros, eles eram responsáveis por não só reger, mas até escrever, compor, fazer arranjos para a banda e provavelmente para algum coro, a música vocal, que também existia. Então ele trouxe tudo isso junto com ele no começo de 1808, por aí, logo que ele chegou.

Josisley: E aí nós temos que puxar rapidinho o que nós acabamos de falar, nós vínhamos daquele histórico de guerras e revoluções na Europa, depois aquela forma como as bandas foram popularizadas em Portugal, inclusive lá as bandas musicais eram chamadas de (filarmônicas), que já estavam acostumadas a tocar em coretos e serem formadas por associações civis, algumas associadas a clubes ou até empresas. E aí vem Dom João VI que traz uma banda que, apesar de ter no repertório o enfoque também religioso, era uma banda militar. Nós já estamos a chegar no século XIX, quando começam a brotar bandas e não tem jeito, pelas áreas militares que nós tínhamos. Então tem a Banda do 4º Batalhão de Caçadores, a Banda da Guarda Nacional, Banda da Brigada Militar, que foi criada em 1878, Força Aérea também, quer dizer, todo mundo começou a criar suas bandas de forma isolada, não era a banda do exército. Tinha exército em Recife, São Paulo e onde tinham batalhões as bandas começaram a ser propagadas.

Fabiano: E isso ajudou a popularizar de uma forma muito grande. Porque como nós falamos, as bandas militares a princípio eram para alegrar e conduzir tropas, mas quando eles trouxeram a cultura de banda militar, elas vieram também com o intuito de participar de festas cívicas locais, procissões, aqui em Pernambuco o pessoal chama muito retreta, que são encontros e movimentos que surgiram a partir do momento que apareceram as bandas. Então uma banda militar começou a inspirar bandas civis também, como o Josi falou que lá na Europa, em Portugal, era muito comum as bandas filarmônicas, essa cultura também foi adotada no Brasil, e isso nada mais é do que bandas civis, que não têm patrocínio de nenhuma entidade militar ou governamental diretamente falando.

Josisley: Vamos à nossa fonte, que foi o livro do Renan Pimenta. Ele acaba dando muita ênfase ao movimento no Recife, em Pernambuco. Ele deixa claro que com essa proliferação das bandas, elas foram se multiplicando não só naquela região, mas por todo o Brasil e começaram a surgir as bandas estudantis nos chamados educandários, que era como eles chamavam os colégios antigamente. Tanto que aqui em Mauá tinha um educandário, que por muito tempo chamaram aquele lugar de (educandário), hoje é um prédio ocupado por um órgão público, e mesmo nos dias de hoje o pessoal fala que tem que passar lá no educandário. Na época que eu estava na Lyra eu via muito isso de ter que levar ofício no educandário, acontecia muito. Então começou a surgir essas bandas de colégio, tanto que nós ouvimos dos nossos pais, pelo menos eu ouvia muito o meu pai falar, das fanfarras que haviam no colégio. E eu acho que não é muito difícil entendermos essa mudança de banda para fanfarra aqui no Brasil quando você tem que educar e começa a ensinar música nessas escolas militares, que estão acostumadas àquela batida e toque militar, então você não precisa de um trompete e trombone, você dá a corneta para todo mundo e vamos fazer acontecer.

Fabiano: Nas fanfarras, como não tem (pisto) fica mais fácil ensinar, porque tem menos nota.

Josisley: Eu acho que nós demos uma passagem nessa história, que mostrou como foi a evolução até as bandas chegarem ao Brasil. Nós ficamos falando muito de bandas, fanfarras e bandas de música, e vivemos dentro de um contexto, hoje, que temos bandas marciais, por exemplo. Eu acho que seria legal nós darmos uma passada nesses níveis técnicos e entender como é e como é formada cada uma delas.

Kleber: Nós estamos falando em conjuntos musicais que participam de competição, é isso?

Josisley: Também.

Kleber: Nós temos as fanfarras simples.

Josisley: Que basicamente não tem pisto.

Kleber: Instrumentos de metal. Tem algum instrumento que não seja de metal na fanfarra?

Fabiano: Escaletas (instrumento), aqui eles usam em algumas fanfarras.

Josisley: Eu não sei o que é escaleta.

Fabiano: É aquele instrumento que parece um pianinho, só que de soprar. Mas eu acho que também pode usar todo tipo de instrumento de percussão, mas tem uma limitação nas teclas, o pessoal usa liras até não sei quantas teclas, uma oitava, por exemplo, não liras muito grandes.

Kleber: Escaleta é um aerofone de palhetas livres.

Fabiano: Exato.

Kleber: Enfim, é uma gaita que você sopra e tem o (teclado).

Fabiano: Ela tem os teclados iguais da sanfona, só que você sopra, tem o (fole).

Kleber: E aí temos fanfarras com pisto. Qual é a diferença de uma corneta com pisto para um trompete?

Fabiano: A quantidade de pistos. A corneta lisa não tem nenhum, que é a fanfarra simples. A corneta com pisto, geralmente é um só, que é o primeiro pisto do trompete, que tem três e a corneta só tem um.

Josisley: Tem um detalhe que nós não mencionamos que na fanfarra simples, a primeira categoria, em média elas tiram quatro a cinco notas, creio eu. Então você usa cornetas de várias afinações para que você tenha uma maior variedade de notas. Você tem a corneta em Si, Fá, não é isso?

Fabiano: Mi Bemol. Geralmente as cornetas tocam a (série) harmônica, a nota fundamental suponhamos que seja o Dó, aí Dó, Sol, Dó, Mi, Sol, e vai para cima, é uma série harmônica da primeira posição. No trompete Si Bemol seria todas as chaves soltas e abertas. Por isso que você tem que ter a corneta Si Bemol, em Mi, Fá, Dó, Ré. Eles não usam só cornetas, eu lembro que nós assistíamos muitas fanfarras naquela época e eles também adaptavam o (Flugel), (eufônio), bombardino, cornetão, tuba, sousafone, e aí vai do dinheiro. É importante dizer que os instrumentos de fanfarras simples são mais caros do que uma banda marcial.

Josisley: Sério?

Fabiano: Sério, porque geralmente eles não são fabricados em grandes escalas como é um trompete, por exemplo. Vamos (nos ater) ao trompete, que é o mais popular. Geralmente é difícil você achar um bombardino sem pisto, e aí a pessoa compra um com pistos e manda tirá-los, isso acontecia muito. Até a fanfarra com pisto também é assim. Por exemplo: eles compram um trompete e mandam tirar os dois pistos, aí fica um pisto só. Acaba ficando mais caro você ter uma fanfarra simples ou com pisto do que ter uma banda marcial, nesse sentido.

Kleber: E aquele (gatilho)?

Fabiano: A fanfarra simples ainda tem o gatilho e a fanfarra com pisto tem o pisto, o gatilho e tem alguns cornetões que eles trocam a bomba para mudar a afinação também. É um recurso. O gatilho, quando você abre, a nota abaixa um pouco. Se for um semitom natural, de Mi para Fá, você apertou o Fá, abre o gatilho e ele abaixa para Mi, o semitom.

Josisley: Eu lembrei que quando nós tocávamos o Franco Atirador, tinha uma nota Ré no começo e os trompetes abriam, davam Ré no primeiro e terceiro pisto, mas eles ainda abriam com o gatilho para pegarem a nota Ré bem grave com maior facilidade.

Fabiano: É para afinar, o trompete tem esse problema na afinação do primeiro e terceiro pisto.

Kleber: Mas trompete tem esse problema em todas as notas, não é? #ironia

Fabiano: Os trompetistas vão bater em você. Trompete só não é pior que melofone. #ironia

Josisley: Vamos continuar, depois da fanfarra com um pisto que é mais cara que a banda marcial, e agora vem a banda marcial, não é, Kleber? Você que tocou em (uma)

Fabiano: Instrumentação.

Kleber: Então banda marcial você pode ter os três pistos, aliás você pode usar qualquer instrumento de metal na sua configuração normal, adaptada. Tem alguma limitação?

Fabiano: Se for da família dos metais eu creio que não. Existe a limitação de dinheiro para comprar, mas o trompete, por exemplo, pode-se usar com qualquer tonalidade, inclusive trompete pico, (cornet), (flugel) , trombone com rotor ou sem, trombone baixo, a percussão também pode usar as teclas com a quantidade de notas que você tiver para comprar as teclas, marimba de 200 oitavas que os caras usam. Não tem limitação. A única limitação é não ter instrumento da família das madeiras.

Kleber: Falando em madeiras, vamos para as bandas musicais. Qual é a diferença entre uma banda musical e banda sinfônica?

Josisley: Eu estou chutando aqui. Mas eu entendo que a banda sinfônica usa alguma coisa de cordas, mas não é predominante, então ela fica entre a orquestra e a banda musical, que não usa cordas e obviamente nenhum instrumento elétrico, enquanto na banda sinfônica você já tem a inclusão de algumas cordas.

Fabiano: É o (cello/violoncelo) e o contrabaixo. E dentro dessa categoria de banda musical nós podemos separar em musical de apresentação e de (concerto). Nos concursos em São Paulo era muito comum ter essas duas categorias. A banda musical de apresentação é aquela banda que vem marchando, como se fosse uma banda militar, é uma banda marcial com os metais e madeiras. E a banda de concerto, não, ela toca sentada como uma banda sinfônica. A diferença na instrumentação também pode ser que a banda musical não utiliza instrumentos de palheta dupla, oboé, fagote, não usa o contrabaixo acústico e nem o violoncelo, mas os outros das madeiras pode usar, clarone (o instrumento) geralmente também não, se for a de marcha, a de concerto é usada. E a banda sinfônica usa todos os instrumentos que existem na face da Terra, é liberado, menos violino e viola.
Kleber: Olha só, é verdade, tem isso aqui no (site) da (OCIFABAN), agora que eu estou olhando aqui.

Fabiano: É legal porque essa nomenclatura que nós estamos dando é para quem participa de competição. Claro que uma banda filarmônica, que não participa e só toca em eventos culturais da cidade, não se preocupa com instrumentação, eles usam o que estiver à mão para usar. Se o cara só tem uma sanfona, ele vai usá-la sem problema nenhum. Essa regra toda é para quem participa de competição, que geralmente tem que se enquadrar em alguma categoria para poder competir de igual para igual com as outras.

Kleber: O que muda da banda sinfônica para orquestra?

Josisley: Para orquestra o Fabiano vai dar os detalhes, eu só queria colaborar com uma informação. Tem aquela briga entre orquestra sinfônica e filarmônica. Eu me lembro, na época que passavam concertos internacionais na Rede Globo – tinha a Tela Quente, o Jornal da Globo e depois os concertos – que aquele maestro dava essas informações e explicou que não havia diferença entre orquestra sinfônica e filarmônica. Eu me lembro muito bem dessa informação que ele passou. Até o século XX era usado esse termo, o termo filarmônica vem de filantropia, então elas são financiadas, mas não têm fins lucrativos. Já as orquestras sinfônicas são financiadas pelo estado, basicamente é isso aí. Fabiano, o que mais tem na orquestra? Eu posso usar tudo?

Fabiano: Orquestra também tem algumas diferenciações. Por exemplo, tinha a orquestra clássica, ela ainda existe, que era usada antes de Mozart, que é a orquestra (stand/stander). Tem a orquestra só de cordas e a clássica, que além de ter (o naipe) das cordas completo, entra as madeiras em quantidade limitada também, madeiras e metais.

Kleber: Interrompendo, você disse em quantidade limitada. Por quê? Eu notei aqui no regulamento da (OCIFABAN) que tem algumas questões, por exemplo: tem que usar duas flautas, três clarinetes e dois saxofones; duas flautas, cinco clarinetes e quatro saxofones e pelo menos um instrumento de palheta dupla. Por que essas quantidades?

Fabiano: Essas quantidades são mínimas, falando em banda musical e sinfônica.

Kleber: E na orquestra?

Fabiano: Usa-se quantidades X. Por exemplo: quatro trompetes, dois clarinetes, dois oboés e dois fagotes. Usam isso justamente pela proporção e equilíbrio sonoro. Tem orquestras, como a orquestra que (Mahler) escrevia, que eles pediam uma instrumentação muito maior. (Mahler) colocava sete ou oito trompas e geralmente usa-se quatro. E ele pedia porque queria mais peso, era uma orquestra mais pesada com muitos metais, aquela coisa mais grandiosa.  Mas é pela proporção e equilíbrio sonoro que isso é medido. Na banda sinfônica, por exemplo, geralmente a proporção que você faz, se eu não me engano, são quatro clarinetes para um trompete. Então se você tem quatro trompetes, tem que ter 16 clarinetes para dar equilíbrio sonoro. Quando você coloca isso nas regras da (OCIFABAN), por exemplo, ou em qualquer outro regulamento, é pedindo a quantidade mínima de madeiras. Geralmente limitam a quantidade de madeiras, porque tem muita banda que vem, por exemplo uma banda marcial que o cara coloca 30 trompetes, 40 trombones e dois clarinetes e dizem que é banda musical, e não é, o equilíbrio fica desproporcional, você não vai ouvir. Então tem que haver um equilíbrio mínimo, por isso colocam isso nas regras do concurso. Mas uma banda sinfônica tem normalmente essa proporção que eu estou falando, 16 clarinetes, 8 flautas, 5 saxofones, sendo dois altos, dois (tenores) e um (barítono), dois oboés e dois fagotes. Este é o mínimo, a instrumentação pode ser maior se o compositor quiser. E a instrumentação vai de acordo justamente com o compositor, eu já peguei arranjos que o cara colocava tudo isso e ainda colocava violoncelo, contrabaixo acústico…. e geralmente quando você compra os arranjos originais, esses editados pela Halleonard, vários assim, eles colocam a quantidade de clarinetes que querem, que aquele arranjo foi escrito para ser tocado por tantos primeiros, segundos e terceiros, tantos contrabaixos, colocam tudo especificado na capa do arranjo.

Josisley: Inclusive eles mandam uma cópia para cada instrumentista.

Fabiano: Como lá fora eles não são adeptos à fotocópia, geralmente quando você compra um arranjo é tudo original, vem uma partitura para cada instrumento. Se eu quiser 50 clarinetes, vai vir 50 (partituras) de clarinetes, uma para cada um.

Josisley: É interessante como isso veio mudando durante o tempo, porque você pega uma parte original, por exemplo, de Exaltation de James Swearingen, e tem uma instrumentação. E nas partituras mais recentes você vê que a instrumentação do mesmo compositor está completamente diferente. Se você pegar Into de Joy of the Spring, verá que é totalmente diferente.

Fabiano: A instrumentação hoje em dia está muito mais livre, mas de acordo com o que ele precisa para aquela música. Tem compositor que usa, por exemplo, corne inglês e tem outros que não acham necessário colocar. Tem compositor que usa contra fagote e outro acha dispensável. Vai do compositor mesmo, principalmente nos instrumentos de percussão, que eles ficam muito livres hoje em dia. Agora também é interessante dizer que tem um tipo de concurso na Europa, chamado World of Brass, que é uma competição de grupos de metais, que tocam no teatro. A instrumentação deles é diferente da que nós usamos aqui em banda marcial, por exemplo, eles não usam trompete, só usam (cornets), e tem que ser nove, um deles sendo (alto) em Mi Bemol, parte é em Si Bemol e um cornet alto que é em Mi Bemol, que faz a parte do trompete picolo. Eles não usam trompas em Fá, eles usam saxofones (horn out) que nós chamamos de Chiquinha, eles usam o (flugel), quatro trompas (sax horn out), aí usam dois eufônios, dois (barítonos), duas tubas em Si Bemol, duas em Mi Bemol e quatro trombones. Essa instrumentação é fixa, todas as bandas que participam do evento World of Brass, têm que tocar com a mesma formação e isso é interessante. Outro detalhe: as partituras são todas em clave Sol, todos os instrumentos e até a tuba.

Kleber: Por que isso? Tem cara que acha isso um sacrilégio.

Fabiano: Exato, mas é uma questão de cultura. Não que os caras não saibam clave de Fá, por exemplo os trombones, mas é porque esse movimento surgiu ainda no século XIX, se eu não me engano. O grupo mais antigo que é a Black Dyke foi fundado em 1880, 1890 por aí. Naquela época era escrito assim e mantiveram isso por tradição. Mas os músicos sabem ler em outras claves sem problema. Agora é estranho você ver uma tuba tocando em clave de Sol para nós que somos dos graves. Se você pensar bem, até em pouco tempo atrás era assim em São Paulo nas bandas marciais.

Josisley: Isso que eu ia falar. Você sabe que hoje em dia nós vivemos escrevendo partituras e tem aqui na nossa banda, o nosso músico (tubista)  já toca há muitos anos, e eu acabo transcrevendo para claves de Sol para ele. Eu fui pedir ajuda para um maestro, mas eu escutei tanto. No fim eu falei para ele que não precisava me ensinar, era uma coisa no (Sibelius)  que eu não sabia como mudar e fui pedir ajuda, depois tive que pedir desculpa. Eu acho que banda é uma coisa muito inclusiva e nessa altura do campeonato forçar isso é complicado, mas enfim, são só opiniões.

Fabiano: Mas isso é uma coisa que eu enfrento muito, porque eu dou aula em uma escola regular de música, e muitos alunos chegam e eu tenho que ensinar em clave de Fá, meu instrumento é o eufônio, eu tenho que (ensinar) e ele fala: “professor mas você tem clave Sol”, sim, mas você tem que conhecer a literatura para eufônio em clave de Fá, também existe coisa em clave de Sol, mas você tem que saber tocar em clave de Fá. Se depois de aprender tudo, você optar por continuar em clave de Sol é outra coisa, mas nós temos que ensinar o correto que está regimentado mundialmente falando, nós não preparamos o músico só para o mercado local, então em qualquer lugar do mundo que ele for, se colocarem uma (partitura) em sua frente, ele vai ter que tocar, por isso nós temos que ensinar o que é usado na maior parte do mundo. Só para lembrar que os instrumentos de voz masculina da banda e da orquestra são em clave de Fá: eufônio, trombone, tuba, fagote, tudo em clave de Fá e não são instrumentos transpositores, diferente dos trompetes, clarinete, saxofones, que são transpositores.

Kleber: Você pode nos explicar o que é um instrumento transpositor?

Fabiano: Falando “a grosso modo”, eu vou usar o trompete como exemplo, um trompete Si Bemol toca um Dó, é um instrumento transpositor. Ele toca o Dó, para ele está tocando Dó, mas ele não soa como um Dó, mas como um Si Bemol. Outro exemplo é o saxofone (alto), que é em Mi Bemol, ele toca Dó, mas não vai soar Dó para os ouvidos. Todo instrumento que toca uma nota e soa outra é transpositor, basicamente falando.

Josisley: Entendi, é isso aí. Mais alguma coisa senhor Kleber?

Kleber: Eu acho que não.

Josisley: Fabiano quer acrescentar alguma coisa?

Fabiano: Estou de boa.

Josisley: Então é isso aí, pessoal. Nós fizemos um (overview) aqui sobre bandas, fanfarras e orquestras. Com certeza nós devemos ter errado alguma coisa, você pode comentar aqui no nosso espaço e nós vamos falar sobre essa dissonância no próximo (Podcast). Eu prometo, nós vamos torcer a orelha do rapaz do (site) para não perdermos mais os comentários, está bom? É isso aí. Vamos então para as nossas dicas culturais.

SESSÃO DICAS CULTURAIS:

Josisley: Vamos começar com o Kleber? Porque ele gosta de colocas umas coisas muito para baixo (sentimentos tristes).

Fabiano: Exótico.

Kleber: Nós estávamos falando que as bandas eram usadas nos conflitos militares e tal, e me veio à memória um filme que se chama O Álamo, de 2004, não sei como são as outras versões. Segundo o nosso especialista em filmes, o Josi, tem várias. Mas enfim, tem um evento bem relevante na história americana, que é uma guerra naquela região do Texas. Uma das batalhas mais importantes dessa revolução foi a batalha do Álamo, onde os americanos foram cercados pelos mexicanos e foram massacrados. Eu tinha que dar alerta de (spoiler) antes. Tem uma cena do filme que os mexicanos vêm com uma banda, os americanos estão entrincheirados em um forte que tinha neste lugar e os mexicanos começam a tocar uma música que se chama A degola. E eles tocavam essa música antes de uma batalha em que não haveriam sobreviventes. Então este é um exemplo da música sendo usada como instrumento de terror psicológico. Isso foi em 1800 e alguma coisa. O cara colocava a música para tocar de manhã, ao fim da tarde, e ninguém sabia quando iam atacar, foi bem marcante. Segundo o Josi todos do filme são muito bons. Esse filme é o melhor de todos que gravaram sobre o tema, então indico nem que seja para ouvir a música da degola.

Fabiano: Pelo menos a trilha, não é?

Josisley: A minha dica é a trilha sonora do filme Paixão de Cristo, do John Debney. A Paixão de Cristo que eu me refiro é a de 2004 do Mel Gibson, que foi composta por John Debney. E por que eu estou indicando? Por um motivo muito óbvio, nós estamos gravando para o dia da banda, que é dia 27 de março, que este ano está caindo no mesmo dia da Páscoa, que é comemorada a Paixão de Cristo. Eu já falei dessa trilha em outros (Podcasts) que eu já participei, a última música chamada Ressurreição é fantástica. Obviamente quem já assistiu ao filme sabe e quem conhece a história de Cristo sabe que ele vai ressuscitar no final.

Fabiano: É (spoiler). #ironia

Josisley: Pelo amor de Deus. Mas é incrível como não há nenhuma palavra nessa ressurreição, como a trilha cresce e quando ele levanta, a trilha explode com um coral. É fantástico. Então aproveitando a Páscoa, fica a minha dica deste filme. Eu tenho que falar também que John Debney tem uma característica: ele coleciona as trilhas sonoras rejeitadas, eu não sei se o pessoal sabe que isso existe. Por exemplo, tem um filme com o Denzel Washington chamado Duelo de Titãs, aquele de futebol americano, vocês já assistiram?

Fabiano: Eu já.

Josisley: Então, ele escreveu a trilha, que era toda em jazz e que foi rejeitada. Mais recentemente ele escreveu a trilha de Troia, com Brad Pitt, só que o diretor brigou com o cara, não gostou da trilha e ele, com raiva, foi no seu (site) e disponibilizou de graça para quem quisesse ouvir. O diretor de Tróia contratou James Horner, que faleceu há um ou dois anos, quem lembra ele fez Coração Valente, Titanic…

Fabiano: …King Kong.

Josisley: Já que você citou King Kong, aconteceu a mesma coisa do caso de Tróia. Para vocês verem a especialidade que ele tinha, ele escreveu a trilha em dois meses, o filme já estava pronto, faltava só a música, ele compôs e gravou em dois meses para o filme Tróia e aconteceu a mesma coisa com King Kong, aquele do Peter Jackson, que é o de 2006, se eu não me engano. Então fica a dica, mas a minha dica está no John Debney, com a trilha fantástica de Paixão de Cristo.

Fabiano: A minha dica é o grupo pernambucano instrumental chamado Sa Grama, que é um grupo de Recife e teve origem no Conservatório Pernambucano de Música, o professor de lá (idealizou) o grupo, que é diferente do que as pessoas estão acostumadas a ouvir. Eu tenho certeza que todo mundo que está me ouvindo, com certeza já ouviu Sa Grama, porque eles fizeram a trilha daquele filme O Auto da Compadecida, que foi um sucesso nacional. Aquela música quando Chicó ressuscita é justamente a música ícone deles, que se chama Presepada. E eu escolhi este grupo, primeiro porque é um grupo de música instrumental, por ser pernambucano e sua instrumentação é totalmente diferente, eles usam duas flautas, um clarinete, um violão – o cara que toca violão também toca viola nordestina -, um violão sete cordas, um contrabaixo acústico, (marimba/malimba), vibrafone e percussão. É uma instrumentação totalmente diferente do usual. Eles baseiam muito seu repertório na música nordestina, no Movimento Armorial, que foi idealizado por Ariano Suassuna, que é um grande escritor e infelizmente já faleceu. Mas enfim, é muito legal. Quem não teve a oportunidade de ouvir, ouça pelo menos a música Presepada, eu tenho certeza que vão gostar.

Josisley: Estão aí nossas dicas no nosso momento cultural. E agora vamos para o final com o Toca na Pista.

SESSÃO TOCA NA PISTA:

Josisley: Eu quero aproveitar esse momento para fazer uma homenagem à nossa extinta banda municipal que é de Ribeirão Pires, minha cidade e que nós três tocamos. Eu e o Fabiano chegamos a tocar juntos, o Kleber tocou em um momento diferente, mas tocou também.

Fabiano: O Kleber tocou junto comigo.

Josisley: O Fabiano vai lembrar que tinha uma música que era um hino da Banda de Ribeirão Pires para nós, que é o Blue Ridge Overture, composição de Frank Erickson. É uma música de 1976.

Fabiano: Poxa, eu não era nem nascido.

Josisley: Eu também não. Essa música é interessante por vários motivos, primeiro porque para a época que nós tocávamos, eu achava ela muito “para frentex”, eu estava acostumado a tocar (dobrado), não sei se o Fabiano lembra, mas nós tocávamos muito Folhas Murchas. E quando nós tocávamos essa música, ela parecia ser muito dinâmica, para frente e moderna, tem um tempo de pausa para todos, só que é interessante que em Ribeirão nós tocávamos com uma batida de bumbo. Nós estamos falando de 1992, mais ou menos, e no começo dos anos 2000, com a internet crescendo, eu comprei um CD que veio várias músicas, mas eu comprei por causa dessa música, são várias composições do Frank Erickson. E quando eu coloquei o CD e não teve a batida de bumbo foi muito decepcionante.

Fabiano: Acabou a música para você. #ironia

Josisley: Eu não acreditei que não tinha a batida de bumbo. E aí nós chegamos a tocar essa música na banda da igreja…

Fabiano: …com a batida de bumbo?

Josisley: Claro.

Fabiano: Senão não tem graça.

Josisley: Não tem. Lamento, mas não…

Fabiano: …Frank Erickson esqueceu dessa parte.

Josisley: Esse negócio de esquecer me lembrou de uma coisa fantástica. O Kleber vai lembrar. Lembra quando tocávamos Hook, A volta do Capitão Gancho?

Kleber: Sim.

Josisley: Você lembra que tinha uma passagem de (sax tenor), que tem aquele começo e depois o (sax tenor) [00:53:57.0] e no original do filme era muito baixo. E aí o (Binder) lançou uma assim: – O John Williams não entendeu o que ele queria fazer aí. Você lembra disso?

Kleber: Eu não me lembro, mas eu não duvido. (Binder), na boa, amigos.

Josisley: Mas eu entendo. O (Binder)  queria nos expressar que ele queria que fizéssemos essa parte aparecer na música, mas ele falou assim e foi fantástico. Essa música Blue Ridge me lembra de uma outra coisa também. O Progresso já estava tocando com aquelas coreografias e entradas, fantásticos, eles tocavam o (Energizer) e aí surgiu um boato que eles iam tocar o (Saga), ninguém lembra dessas histórias, só eu. Eu lembro que ficaram falando que não era o Star Wars Saga e outros falando que era, sim. Se eu não me engano o campeonato foi em Santa Isabel, quando chega, e entra o Progresso, aquela grande banda – eu já falei inúmeras vezes que eu achava aquele uniforme muito legal e o estilo de marcha também, eu sempre gostei deles – falaram que a próxima peça seria Saga. Só que aconteceu o seguinte: o cara esqueceu de dizer que era Blue Ridge Saga, do James Swearingen. Vai ter (link) desta música aqui no post, para quem não conhece.

Kleber: Não clique no (link), nem por acidente. #ironia

Josisley: Que triste.

Fabiano: Mas esse lance de mudar o nome da música era muito comum daquela época, por causa da espionagem musical. É uma coisa que está voltando à moda agora, esse negócio de espionagem. Eu lembro que a Lyra tocou uma música chamada Disney Medley, eu me lembro que eu pesquisei e procurei a partitura e o áudio original por todo canto e nunca tinha encontrado. Um dia, nas minhas pesquisas, eu estava vendo os (sites) e entrei em bandas japonesas, tinha um (pot-pourri) da Disney escrito: Disney (favorites). Quando eu cliquei, eu não acreditei que o nosso amado Gabriel Santos tinha feito aquilo conosco.

Josisley: O Gabriel fazia mesmo. Aliás, (menção honrosa), eu sempre curti a letra do Gabriel.

Fabiano: Naquela época não tinha (Finale), era à mão.

Josisley: Era na mão, eu não sei se ele escrevia aquilo com Nanquim mesmo, mas era muito legal. A grade do Disney Medley, da Lyra, está escrita em japonês. Eu acho que você nunca viu.

Fabiano: A original, não.

Josisley: O (Binder) tem a original e é em japonês mesmo. Esse momento, o Toca na Pista, nós relembramos algumas histórias legais do passado. Eu, não é? Porque vocês não lembram de nada.

Fabiano: Eu só lembro das piadas. #ironia

Kleber: Eu lembro de algumas histórias.  Nos próximos (Podcasts)nós compartilhamos com os ouvintes.

Fabiano: Vamos anotar.

Josisley: Está certo. Obrigado, você, que ouviu até aqui o (Podcast) Toque 2. Obrigado, Kleber e Fabiano pela participação, é isso aí. Fiquem agora com Blue Ridge Overture de Frank Erickson. Música do coração, viu? Não fale que não gostou. Ou pode falar que não gostou, comente aí se você gostou ou não, eu gosto muito dessa música, é isso. Falou, tchau.

Kleber: Falou.

Fabiano: Valeu.

TOCA: Blue Ridge Overture de Frank Erickson.

FIM.

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A paixão musical surgiu em 1989 após ouvir a banda de sua igreja tocar. Em 1992 ingressou na Banda Municipal de Ribeirão, já extinta, em 1994 migrou para a Corporação Musical Lyra de Mauá, onde atua como Diretor, também atua como Maestro na corporação Musical Nova Aliança.

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